19 de fevereiro de 2008

Minguante


O mundo é uma selva. A luta é constante. Certeza? Só a morte. Pra sobreviver, salve-se quem puder. E quem ganha essa luta? Será que o vencedor é o real vencedor? Temos que ser fortes. Lua cheia. Grandiosa. Imponente. Iluminante. Como a fase lunar, certos dias estamos minguante. Maré vazando. Céu nublado. Sem estrelas. Esvaecendo. Cansada. Assim me sinto hoje. E a vontade que dá, às vezes, é de sumir.

18 de fevereiro de 2008

Mudança pessoal

Sou gente boa, gosto de pessoas, de lidar com elas, trabalhar idem. Escolhi uma profissão na área de ciências humanas também por isso. Por gostar muito das pessoas, sempre dei valor a elas, e às vezes, quebrava a cara, por ingenuidade e por acreditar que as pessoas podem se tornar seres melhores.

Pobre engano! Nem sempre é assim. Nos decepcionamos muito com elas. Já engoli muito sapo de todo tipo, até daqueles que tinha um profundo carinho. Mudei. Hoje, não levo mais desaforo pra casa. Primeiro, porque passei a me respeitar mais, segundo porque é você que tem que se fazer respeitar, e se não for assim, quem irá te respeitar? Terceiro porque tem pessoas que merecem ouvir uma resposta bem dada só pela ousadia de ter falado e da próxima vez irá pensar duas vezes antes de cometer outra "merda".

Me orgulho de me respeitar mais, graças a um amadurecimento pessoal, a pessoas queridas que me fizeram enxergar muitas coisas e a experiências vividas que me fizeram aprender. Mudei sim. Mas continuo acreditando nas pessoas. E que elas podem se tornar melhores. Só que vejo isso com mais pé no chão.

16 de fevereiro de 2008

Às vezes

Às vezes, através das palavras, machucamos as pessoas, amigos, a quem amamos. A palavra tem poder não só escrita, pois fica documentado. Mas quando é dita, mesmo solta ao vento, o que já foi dito não se pode voltar atrás. Não adianta remendar. O erro está feito. Nos arrependemos. Pedimos desculpas. Às vezes se é desculpado, às vezes não. Talvez só com o tempo pra esquecer. Digo, talvez. Porque pode-se não esquecer jamais.

O ditado diz "antes de lançar uma flecha, molhe a ponta no mel". E esquecemos disso. As palavras, quando duras, são amargas. Ferem, magoam, machucam. Magoamos as pessoas, porque elas não esperavam ouvir tais palavras, às vezes porque não mereciam ouvir desse forma ou nem sequer ouvir.

Acredito que a melhor forma de se resolver quando se magoa alguém é conversar. Sempre acreditei nisso sem necessariamente ter que ouvir conselhos, livros ou qualquer outra forma, pois essa é minha natureza. O diálogo, às vezes, é a melhor atitude.

15 de fevereiro de 2008

Gira mundo ("Mais mundo" A Volante)


Gira mundo
na volta que o mundo dá
quanto mais que tu vê mundo
bem mais mundo há

Tem gente

Tem gente que enche
que suga
sufoca.

Não te deixa pensar
respirar
nem falar.

Não te dá tempo
momento
nem sentimento.

Cada qual

Cada um
no seu lugar.

Um lá
outro acolá.

Um é ímpar
dois é par
Três é
ménage à trois.

Cada qual
na sua forma de amar.

Subdialeto baiano

Recebi um email que falava do subdialeto baiano com gírias do tipo "colé, miséra!", "diga, mô pai", "colé de mêrmo?", "é niuma miserê", "relaxe mô fiu", "cê tá ligado qui cê é minha corrente, né véi?", "aí cê me quebra negão", "tá me tirando onda de otário é?", "se plante", entre tantas outras, e a mais atual, "ó paí ó".

Acho "massa" esse sotaque baiano. Divertido. Imagino até como os turistas estrangeiros devem ficar doidos pra tentar entender essas gírias. Coitados!

Adoro nossa cultura, essa diversidade baiana de sons, raças, estilos e cores. A beleza está justamente na mistura e nessa informalidade, no jeito de levar a vida e na malandragem.

Porém, o que me leva a falar desse assunto é uma indignação. Já me aconteceu e não foi uma, nem duas vezes, de ligar para empresas, escolas e outras intituições formais e ouvir coisas do tipo: _ Sim mãe?

Peraí, adoro esse nosso jeito de falar, mas numa instituição formal? Por isso que dizem que baiano é preguiçoso, não trabalha, não estuda, só vive de festa, e não quer nada. Onde está o profissionalismo? E olha que aqui é a terceira capital do país mais populosa. Sempre defendi nossa cultura. Mas agora dou o braço a torcer, nós temos muito o que aprender. E como!