5 de março de 2008

Carta de uma amiga

Talvez não coubesse, mas resolvi publicar aqui as palavras de uma amiga por elas terem me feito tão bem num período da minha vida, por agradecimento e homenagem a essa pessoa especial.

Oi Neila,


Amei a sua escrita, permeada por sentimentos e desabafos. Desabafo de vida e não de piedade. Representa a sua força. Esta força que todos nós temos, mas que descobrimos a cada dia, a cada passo, a cada etapa da vida, a cada desilusão e dificuldade. Enfim, aprendemos a cada desafio que a vida nos propõe para nos possibilitar a revisão de nossas condutas, nossos valores e sentimentos.

Sinto que você hoje está aspirando a força da vida pulsando, te chamando e te convidando a seguir de cabeça erguida, não como uma super-mulher sem defeitos e fraquezas, mas como alguém que femininamente sente, sorri, se indigna, que muitas vezes se sente frágil, se manisfesta e, sobretudo, vive!!!

Essa é a essência de estar construindo a nossa própria jornada com autonomia, fé, garra e perseverança, mas recheada de sensibilidade, afeto e gratidão.

Gosto de te ver assim. Continue, pois isto é descobrir e realimentar a tua identidade singular, que não deve ser imposta, e sim revalidada a cada passo; que não deve ser aplaudida e sim respeitada.

É por conta da tua sinceridade e sensibilidade, com alma limpa e cristalina, que temos tanto orgulho de te ter como amiga.

Um grande abraço emocionado e emocionante,
Cilene

Uma comparação entre o Contato Improvisação e as Novas Tecnologias da Informação e Comunicação: um universo de possibilidades

Assim que iniciei a prática do Contato Improvisação, conseqüentemente, comecei a fazer relações da dança com a vida, minha vida especificamente; desenvolvendo uma consciência psicológica, emocional, física e corporal do meu "estar" no mundo. A forma de relacionamento comigo mesma, com o outro, e com tudo à minha volta. Comecei a criar relações espaciais entre mim e os objetos. Enxergá-los de modo diferente, brincar com eles. Observar as pessoas levemente, com um olhar de criança quando conhece algo novo.

Além disso, teci relações até com o meu universo de trabalho, comparando a dança com a minha profissão. Como pedagoga; estudo, pesquiso e trabalho a inter-relação entre educação, comunicação e tecnologias contemporâneas. Referindo-se a pedagogia crítica, uma proposta pedagógica atual está centrada no aluno, no seu processo cognitivo de aprendizagem, e não mais no professor como detentor do “saber”. Paulo Freire [1] propondo a Pedagogia da Libertação, critica essa concepção denominando-a de “educação bancária”, onde o aluno está definido como um ser que não sabe nada, uma “tábula rasa”, e o professor ao ensinar, estaria depositando o conhecimento para esse ser passivo. Para ele, uma atitude pedagógica crítica está contextualizada com o universo do aluno, sua realidade social, respeitando suas potencialidades e proporcionando possibilidades em que ele possa desenvolver-se com autonomia, ou seja, um sujeito ativo, crítico e consciente do seu papel no mundo.

Atualmente, com o advento das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTICs) à educação; no universo da cibercultura, todos são seres potenciais, em potencialidade. Nessa perspectiva, qualquer pessoa tem capacidade de produzir o conhecimento, de ser emissor e receptor ao mesmo tempo. Com isso, o professor deixa de ser o centro do “saber”, mas um mediador nesse processo, orientando e permeando relações interdisciplinares para que o “aprendente” construa seu próprio caminho do conhecimento.

Autores como Pierre Lèvy [2] e Marco Silva [3] definem características de organização da informação no espaço virtual. Dentre elas estão: hipertextualidade, interatividade, metamorfose, heterogeneidade, mobilidade de centros, exterioridade, multiplicidade de encaixes, topologia, dentre outros elementos.

A hipertextualidade, como o próprio conceito já traz, é um grande texto na rede virtual. Um conjunto de nós que se interligam em que a pessoa vai construindo seu caminho de forma não-linear, sem ter um fim definido.

“O hipertexto é a quebra de uma cultura linear que impunha apenas um único ponto de vista, é a quebra dos monologismos e a possibilidade de construção de uma relação polifônica, na qual diversos protagonistas tem a oportunidade de expressar o seu ponto de vista. O hipertexto é uma grande teia de relações no qual qualquer ponto, é um possível início em um grande caminho cheio de possibilidades de escolhas, no qual você pode ter acesso a um universo de possibilidades, não só textuais como em outras formas e expressões”. (P.P.A)

A interatividade, não é somente a relação do homem com a máquina, mas a dinâmica do processo entre ele e outros. É a possibilidade que todos tem de construir e modificar o que está exposto, dando acessibilidade para que outros possam vê-lo e reconstruí-lo na internet.

“Na era da interatividade ocorre a transição da lógica da distribuição (transmissão) para a lógica da comunicação (interatividade). Isto significa modificação radical no esquema clássico da informação baseado na ligação unilateral emissor-mensagem-receptor.O emissor não emite mais no sentido que se entende habitualmente, uma mensagem fechada, ele oferece um leque de elementos e possibilidades à manipulação do receptor. A mensagem não é mais “emitida”, não é mais um mundo fechado, paralisado, imutável, intocável, sagrado, ela é um mundo aberto, modificável na medida que responde às solicitações daquele que a consulta. O receptor não está mais em posição de recepção clássica, ele é convidado à livre criação e a mensagem ganha sentido sob sua intervenção." (SILVA, Marco)

O princípio da metamorfose explicita a idéia de que essa rede de significações que constitui o conhecimento está em constante transformação. A heterogeneidade se caracteriza pela diversidade de pessoas envolvidas nesse processo quanto as formas de linguagens, podendo estar dispostas em palavras, sons, imagens, em diversos modelos e multimídias. A mobilidade de centros é a dinâmica da informação. Ela não se encontra centralizada, mas ramificada em nós que vão construindo outros mapas e paisagens. A exterioridade significa que a rede não tem um motor interno, mas ela cresce dependente do ato externo, na adição de novos elementos que irão alimentá-la. A multiplicidade de encaixes são os nós e conexões que ligam uma rede entre si e a outras, formando pontes de informações, criando mobilidade e possibilidade de ir e voltar, ou continuar tecendo outros nós. A topologia são os caminhos que ligam as informações, os links que levam um caminho a outro.

O contato improvisação se caracteriza pelos mesmos elementos que definem o universo da cibercultura. Ele é hipertextual porque possui um universo de possibilidades a qualquer movimento que poderá surgir. Interativo na relação com o outro, sendo que qualquer um dos praticantes pode ser o emissor da mensagem, o receptor ou ambos. A metamorfose se materializa pela transformação constante dos movimentos da dança. A heterogeneidade é a diversidade de pessoas envolvidas, os universos particulares de cada um que formam um todo, os ritmos diferentes e os corpos diferentes. A mobilidade de centros mostra que a cada momento, o ponto (centro) de equilíbrio pode ser mudado de um para o outro praticante constantemente. A exterioridade se concretiza pela beleza da dança a cada movimento que vai sendo adicionado ao ato. A multiplicidade de encaixes são as possibilidades da prática em conjunto, podendo ser praticado entre mais de duas pessoas. A topologia é navegabilidade, a troca de pares, os caminhos que levam um ao outro.

Agora porquê trouxe essas definições para comparar o Contato Improvisação à NTIC`s? Na tentativa de poder embasar teoricamente que esses princípios acadêmicos podem ser intencionalmente associados à prática do contato improvisação. O ato de praticar o contato improvisação está imbuído de uma atitude pedagógica, pelo universo de possibilidades, de criatividade, de diversidade, de conceitos indefinidos, de não modelagem mas de improvisos, possibilitando a autonomia do praticante, e acima de tudo, democrático, pois todos os envolvidos estão posicionados em igualdade.



[1] Educador, criou o método de alfabetização de “leitura do mundo” e escrita contextualizada, com o intuito de conscientizar e capacitar o oprimido para a libertação, sendo referência na educação de jovens e adultos. Autor de Pedagogia do Oprimido, Pedagogia da Esperança, A importância do ato de ler, Educação como prática da liberdade, Pedagogia da Autonomia: saberes necessários á prática educativa, entre outros.

[2] Filósofo e referência mundial no que diz respeito a relação entre educação e as novas tecnologias da informação e comunicação. Autor de “ As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática”, “A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço”, entre outros.

[3] Sociólogo, professor da UERJ e UNESA. Autor de “Sala de aula interativa”, “Educação online” e “Avaliação online”.

25 de fevereiro de 2008

Especialíssimo

Esse fim de semana foi maravilhosamente especial. Aproveitei o quanto pude a dois, jantarzinho, comida chinesa, lua cheia, fim de tarde, pôr do sol, sorvete, vários filmes, e um presente especialíssimo, que me marcará pro resto da vida, mas que me perdoe o leitor, não quero revelar aqui. Quem me viu esse fim de semana e pôde notar, não teve dúvida, pois está estampado no corpo, no rosto e na alma.

Pude curtir o show de Mombojó que também chamo de especialíssimo porque me diverti bastante, e estava entre pessoas que amo. Dancei, me esbaldei, até não aguentar mais as pernas. A cerveja então..geladíssima!

Pra encerrar, um trecho de uma das músicas que reflete essa sensação maravilhosa.

Deixe-se Acreditar

Eu quero um samba pra me aquecer
Quero algo pra beber, quero você
Peça tudo que quiser
Quantos sambas agüentar dançar
Mas não esqueça do seu trato
Da hora de parar
Só vamos embora quando tudo terminar
Eu vou te levar aonde você quer chegar
Eu tenho a chave nada impede a vida acontecer
Deixe-se acreditar
Nada vai te acontecer
Tudo pode ser
Nada vai acontecer, não tema
Esse é o reino da alegria

(Mombojó)

21 de fevereiro de 2008

Deu branco

Quero escrever, mas nada de concreto neste momento. Sinto um vazio. A cabeça dá um nó. Deu branco. Pra ser sincera, quero fazer um tanto de coisas que planejei para este ano e que por uma série de questões, ainda não foi possível, mas que aos poucos serão concretizados. Assim espero!

Aliás, acho até que esse branco é falta de leitura sim. Tenho estudado assuntos da minha profissão, me preparado pra concurso, mas não tenho lido livros que gostaria - e isso me irrita. Daqueles tipos que nos deliciam, nos fazem viajar, se perder no tempo e nas horas. E aqui me permito como uma forma de me expressar e ocupar este vazio.

Percebo que escrevo objetivamente e preciso me aprofundar mais. Não que o que escrevo, não tem consistência. E quem disse que quantidade é qualidade? Não é isso. É que a leitura e a escrita devem ser um exercício constante e neste espaço que escolhi, cabe-se tudo, ou quase tudo.

Sinto que não consigo expressar tudo o que gostaria, até mesmo porque fico presa em regras gramaticais e isso acaba tolhendo meu livre pensamento. Difícil também tentar acompanhar a velocidade do pensamento, os links e as conexões que ele faz e expressá-lo através das palavras. Eu deveria me permitir voar mais e não me preocupar com as opiniões, regras ou qualquer outra forma de castração.

Pronto, a falta do que escrever, virou tema. Mas minha percepção é fato. Preciso ler mais urgentemente!

20 de fevereiro de 2008

A resposta

Ligo. Celular desligado. Deixo mensagens. Está off line. Não conseguia dormir. Atormentada, tive pesadelos. Acordei cedo na ânsia de alguma resposta. Contrariando o meu costume, não aguentei esperar. Liguei. A resposta que ouvi era melhor que minha vã imaginação podia alcançar. E fiquei em doces devaneios.

19 de fevereiro de 2008

Mas o mel é da abelha

A mosca é imunda. Nojenta. Não escolhe. Ataca tudo o que vem pela frente. Ronda em todo lugar e em todos. No lixo. E até onde não deve. Ninguém aguenta. Onde tem comida, olha ela lá. Doce então..Já diz o ditado: "quem nunca comeu mel, quando come se lambuza." Mas o mel é da abelha. Da abelha rainha. E só ela sabe fazer.

Engano

Ela estava toda prosa
se achando a gostosa.
Mal sabe ela
que a poesia é mais bela.